Elegância
dos trajes masculinos sobre um corpo cheio de feminilidade
Androgenia
é uma palavra grega que significa a combinação visual entre
masculino e feminino, e pode significar qualquer coisa, desde David
Bowie usando um macacão reluzente à Patti Smith com um jeans
desgastado ou o maquiado Brian Molko da banda Placebo. Na moda isso é
o que acontece quando o vestuário feminino abraça o masculino e
vice-versa.
Tantas
passagens importantes citam a androgenia em livros da história da
moda como, por exemplo, o smoking de Yves
Saint Laurent
e a marca japonesa Comme
des Garçons,
que traduzida do francês significa “Como garotos”. Mas a
apropriação da moda masculina pelas mulheres foi calcada por duas
atrizes pioneiras – Katharine Hepburn e Marlene Dietrich. A
primeira exibia um tipo de androgenia leve, seu gosto por calças
amplas ajudou a populariza-las no vestuário feminino, mas outros
elementos de seus looks, como suéteres ajustados e blusas, eram
popularmente femininos. Dietrich, por outro lado, adotou totalmente a
alfaiataria e a converteu em seu look registrado, sendo
frequentemente fotografada em conjuntos com cortes complexos e
vivazes, geralmente acompanhados de um chapéu.

A icônica atriz alemã Marlene Dietrich em um terno branco

A atriz americana Katharine Hepburn em seu look registrado: calças
de alfaiataria.
Conforme
o século 20 avançava, este estilo foi escolhido por nomes como
Annie
Lennox, vocalista da Eurythmics, que usava cabelos bem curtos com
camisas e calças bem andróginas. Com o aumento do poder do
vestuário e o surgimento de marcas japonesas que rejeitaram os
estabelecidos ideais de beleza feminina, os anos 80 observaram a
androginia se estabelecer completamente como uma promessa da
indústria da moda.

Marlene Dietrich e Annie Lennox
Marcando
presença nos desfiles desde então, o próximo outono/inverno
internacional não é exceção. A alfaiataria masculina no vestuário
feminino tende a funcionar melhor em coleções de inverno por causa
do clima frio, que permite o uso dos tecidos pesados e também das
sobreposições.
Para
os dias gelados podemos apostar em tamanhos oversized, mas sem
exageros, conjuntos com calças pantalonas e sobretudos, duas das
peças mais encontradas nas passarelas. Na Hermès,
Christophe
Lemaire foi
fiel à proposta de Dietrich,
com conjuntos em cinza grafite combinados em camisas muito brancas e
gravatas em seda, completado chapéus joviais. Já Junya
Watanabe adotou
um caminho mais simples e minimalista, com conjuntos masculinos lisos
e bem feitos, com o colarinho abotoado e sapatos brogue.

Ourono/Inverno 12: Hermès e Junya Watanabe
Na
Maison Martin Margiela as
apostas foram corajosas e confiantes na masculinidade. Com casacos
amplos
e calças com pregas precisas na cor que é a assinatura da casa, o
preto. Os cortes e detalhes eram mais femininos que o usual nesta
tendência, mas os looks em geral possuíam um ar macho-alfa.
Paul
Smith
fez seu nome como alfaiate, então não seria uma surpresa que sua
coleção feminina pegasse emprestado muito de sua experiência.
Experimentando com tweed e ricos tons de chocolate ele fez casacos
soltos semelhantes à robes e calças masculinizadas.

Ourono/Inverno 12: Maison Martin Margiela e Paul Smith
Mas
antes que mergulhemos de cabeça nas peças andróginas da próxima
temporada, vamos nos lembrar do que podemos ou não fazer:
- Tenha
certeza de que suas roupas sejam do seu tamanho, senão vai parecer
que você está se transvestindo...
- Não
use um conjunto sem nada por baixo. Não estamos nos anos 2000 e você
não é Angelina Jolie.
- Seja
cuidadosa ao experimentar com tecidos e texturas – essas peças
tendem a cobrir muito do corpo então têm o potencial de ser
visualmente fortes demais…
- Não
ache que se manter fiel à tradicional paleta masculina de azul
marinho, cinza e preto é chato – elas são tão usadas porque
funcionam muito bem e ainda são atemporais e lisonjeiras...
- Mantenha
os acessórios femininos, lembre-se que a androgenia é uma mistura
do vestuário feminino e do masculino...
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